O Labirinto da Percepção e discernimento
Quero já de início confrontar você com a seguinte pergunta. A realidade que você vive é a mesma que o seu vizinho? Vamos desvendar como o seu cérebro filtra o mundo e cria a sua própria verdade.
Imagine que o mundo é um vasto oceano de informações. Você
acredita que seu cérebro capta e processa 100% disso? A verdade é que ele não
consegue. Se fosse possível, seria sobrecarregado e com toda certeza pararia de
funcionar. Em vez disso, o cérebro opera como um guardião, filtrando o que
considera importante e descartando o aquilo que ele julga não ser interessante
e até necessário.
Quando falamos em percepção e também discernimento ambos são
moldados por uma complexa rede de fatores, como:
- Memórias
e experiências: O que vivenciamos no passado cria um roteiro para o
que esperamos no futuro.
- Emoções:
O medo, a alegria ou a raiva podem colorir ou escurecer nossa visão,
distorcendo a realidade.
- Crenças
e valores: O que consideramos certo ou errado influencia diretamente a
forma como julgamos todas as situações.
Essa filtragem é tão poderosa que a realidade que você vive
não é a realidade em si, mas sim a sua versão da realidade. E o que
seria essa versão da realidade? Ela nada mais é que uma interpretação subjetiva
que cada indivíduo tem de mundo, influenciada por suas experiencias, percepções
e crenças.
Agora trazendo isso para ótica divina, para luz da palavra!
A realidade que você vive é a mesma que Deus vê? Ou será que seu coração e a
sua mente filtram tudo a sua volta e criam uma verdade que nem sempre se alinha
com a verdade de Deus?
A Bíblia nos ensina que a percepção humana, muitas vezes, é
falha e limitada. O profeta Jeremias, em Jeremias 17:9, diz: "O
coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem
é capaz de compreendê-lo?"
Essa passagem nos alerta para o fato de que nossa própria
visão de mundo pode ser distorcida. O "coração", no contexto bíblico,
refere-se não apenas às emoções, mas ao centro de nossas decisões,
pensamentos e percepções. Ele pode nos enganar, levando-nos a interpretar a
realidade de uma forma que justifique nossos próprios desejos e falhas, ao em
vez de enxergarmos a verdade.
Em Provérbios 14:12, somos advertidos: "Há um
caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da
morte." Isso nos mostra que nossa percepção de "o que é
certo" pode estar errada. Nosso comportamento e nossas escolhas são frutos
diretos daquilo que percebemos como verdade.
Nossa mente e nossas emoções funcionam como um filtro,
moldando o que vemos e como nos comportamos. Esse filtro nem sempre é
confiável. Ele é influenciado por nossas experiências passadas, medos e
crenças. O resultado é que podemos enxergar um problema como intransponível,
um sonho como impossível ou uma promessa de Deus como inacreditável.
A história do povo de Israel no deserto, registrada em Números,
capítulos 13 e 14, é um exemplo perfeito desse labirinto da percepção. Após
400 anos de escravidão no Egito, eles estavam à beira da liberdade, prontos
para entrar na Terra Prometida, que era um lugar de fartura. E Moisés enviou 12
espiões para inspecionar a terra, mas 10 deles voltaram com um relatório
negativo.
Eles viram a terra, mas sua percepção foi obscurecida pelo
medo. E eles disseram: "O povo que lá vive é poderoso, as cidades são
fortificadas e muito grandes... vimos os descendentes de Anaque por lá...
comparados a eles, éramos como gafanhotos." (Números 13:28, 33).
Eles se esqueceram das pragas do Egito, da abertura do Mar
Vermelho, da coluna de fogo e da nuvem que os guiava. A percepção do perigo
imediato ofuscou a memória das promessas de Deus. Por causa dessa visão
distorcida, eles se recusaram a entrar na Terra Prometida e foram forçados a
vagar por 40 anos no deserto, um labirinto de suas próprias inseguranças e
medos.
Agora, como sair do labirinto? A chave para a
libertação é a renovação da nossa percepção com o discernimento divino. Apenas
dois espiões, Josué e Calebe, viram a mesma terra, mas com a percepção e
discernimento correto. Eles disseram: "Se o Senhor se agradar de nós,
ele nos fará entrar nessa terra... não tenham medo do povo, porque nós os
devoraremos como pão; a proteção deles se foi, mas o Senhor está conosco."
(Números 14:8-9).
Eles não negaram o perigo, mas optaram por focar na promessa
e no poder de Deus e não no tamanho dos gigantes. Eles transformaram a
percepção de um obstáculo com o discernimento divino em uma oportunidade.
Agora pense em um "gigante" em sua vida hoje. Pode
ser um problema financeiro, um conflito familiar ou uma insegurança pessoal.
Você o está vendo com medo ou com fé? O que a Palavra de Deus te ensina sobre a
situação?
Conclusão: Medo ou Fé? A Chave para a Liberdade
A pergunta final que nos resta é: "Você está vendo o
seu gigante com medo ou com fé?". A percepção dos dez espiões foi dominada
pelo medo, e isso os fez enxergar a si mesmos como "gafanhotos". Eles
permitiram que o que viam com os olhos ofuscasse o que Deus já havia prometido.
O medo fez com que eles trocassem a liberdade por 40 anos de servidão no
deserto.
Josué e Calebe, por outro lado, enxergaram a mesma situação,
mas com os olhos da fé. “Eles sabiam que a grandeza do desafio não superava
a grandeza do seu Deus”. Em Isaías 41:10, Deus nos lembra: "Não
temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te
fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel."
A saída do labirinto da percepção distorcida não está em
ignorar os gigantes, mas em escolher a fé acima do medo. A fé nos permite ver a
nossa situação através da perspectiva de Deus, que é de vitória e não de
derrota.
A cada obstáculo que surge, a escolha é nossa: andar em
círculos com os que veem apenas o perigo, ou avançar com os que veem o poder de
Deus em ação. A transformação de comportamento começa quando decidimos renovar
nossa mente para que ela esteja alinhada com a percepção de Deus. Aleluia!!!

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